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Kário

Arte do Kário, para o catálogo de heróis brasileiros.

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Kário – Roteiros em forma de layout

Tirei essa fotinho de algumas páginas de roteiro do Kário em que estou trabalhando. Eu faço os roteiros assim, em forma de layout – um tipo de “roteiro desenhado”. Não é o único jeito de fazer um roteiro, nem o melhor, muito menos o “certo”. É apenas o jeito que funciona melhor pra mim. Quando escrevo a história ao mesmo tempo em que faço os esboços das cenas consigo antever se minhas ideias vão caber na página, se não tem texto demais, se a narrativa está funcionando, coisas assim…

Depois eu escaneio uma página a lápis do Jeanzinho e posto aqui pra vocês verem. 🙂
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Medo de escrever

Ontem um leitor fez um comentário na minha página do Facebook falando sobre Dívida de Sangue, primeira HQ do Kário que fiz já há uns bons anos (13, para ser exato) e disse que havia lido a história na época em que ela fazia parte do acervo da Editora Nona Arte. Respondi dizendo que havia interrompido a continuidade do personagem devido a alguns pequenos “problemas” e que depois acabei indo fazer outras coisas.

Pretendia falar que “problemas” seriam esses ali mesmo no comentário, mas depois achei que seria melhor falar sobre isso em outro lugar, já que esses “problemas” se resumem a uma coisa só: minha insegurança para escrever histórias.

Durante a vida encontrei outras pessoas com a mesma dificuldade. Eu não me considero alguém importante no cenário dos quadrinhos nacionais, mas há algumas pessoas que se interessam pelo que tenho a dizer. Fiquei pensando que talvez haja outras pessoas com o mesmo problema que eu (pelos depoimentos de escritores que vejo por aí, parece ser algo bastante comum entre pessoas que escrevem, ou tentam escrever), então pode ser que falar da minha experiência seja útil para alguém.

Sempre tive medo de escrever. Quando olho o que estou escrevendo sempre acho que a história está fraca, ou simples demais, ou boba demais. Fico pensando “Quem eu penso que sou? Nunca vou ser tão bom quanto [*Insira o nome do seu(sua) autor(a) favorito(a) aqui*]“.

As poucas histórias que escrevi, acredite, é porque fui meio que “obrigado”. A primeira história “oficial”, publicada, foi o Slane. O editor Tony Fernandes havia me pedido para produzir uma HQ de herói para publicar nuns almanaques que ele queria publicar. Na época eu era involuntariamente isolado do meio quadrinístico, não havia internet, eu não conhecia ninguém que escrevesse… O jeito foi escrever eu mesmo. Peguei uns elementos de V de Vingança, HQ que havia me impressionado muito na época, e vi o que poderia fazer a partir daquilo. Para minha surpresa, os leitores da editora acabaram gostando e… me vi numa enrascada. Eu estava tão certo de que ninguém iria se importar com aquela história que nem me dei ao trabalho de pensar no que faria a seguir. Não haveriam “capítulos seguintes” pra mim! Aí conheci na editora 3 rapazes que escreviam; tinham gostado do Slane e se ofereceram para escrevê-lo. Dei graças a Deus quando isso aconteceu – fiquei livre da tarefa de escrever! Não lembro porquê, eles acabaram não escrevendo. A revista fechou, a editora também e o personagem morreu por aí (ou nem tanto, porque até hoje me aparecem pessoas falando dele).

Depois veio a Turma do Barulho, publicada pela Editora Abril. Outro “quase pesadelo”. Havia pouca gente para escrever (três, contando comigo, se bem me lembro), por isso nem poderia deixar de escrever ou isso comprometeria o trabalho de todos. Tínhamos uma revista mensal para fazer, era preciso criar histórias para abastecê-la. Como sempre acontece, se me obrigo a escrever na marra, acaba saindo alguma coisa. Tudo podia ser inspiração. Rumo Às Estrelas, por exemplo, foi inspirada numa notícia que eu tinha visto no jornal sobre uns bandidos que deram um golpe numa escola.

Por isso, sempre que pude, tentei trabalhar com amigos roteiristas. Era mais confortável deixar que outro escrevesse para que eu não tivesse que enfrentar isso. Só que na vida a gente precisa enfrentar as coisas, cedo ou tarde, né?

Do ano passado para cá decidi voltar a escrever minhas HQs. Não que eu tenha alcançado alguma “iluminação” ou coisa parecida. Sempre que cometo a “ousadia” de escrever uma história nova, fico ouvindo aquela vozinha dentro da cabeça dizendo “Isso não é pra você, cara. Desista. Essa história tá uma droga, ninguém vai se interessar por ela!”. Um amigo me perguntou outro dia como fiz pra superar meu medo de escrever. Minha resposta foi: “Não superei”. O que eu fiz foi apenas tomar coragem e começar a escrever. Lembrando que coragem não é não ter medo, mas agir APESAR do medo.

A vozinha continua falando, porém agora com menos poder de influência sobre mim. Isso porque mudei o foco para outra direção (e se você também sofre para escrever, sugiro que faça o mesmo): o prazer que sinto ao criar uma história. Desde que voltei a escrever, fiz 3 histórias do Jeanzinho, tem uma quarta a caminho e ideias para mais outras. Eu me divirto pra caramba quando estou escrevendo e desenhando ele. Com meu alter ego infantil ainda aprendi uma coisa legal: a capacidade de rir de mim mesmo. E isso é libertador! Eu ria muito enquanto escrevia e desenhava O Menino Quase Nu, por exemplo, e rio até hoje quando revejo 🙂 E ainda tem uma história nova do Kário sendo escrita.

Então é isso: quando aquela vozinha chata vier te aborrecer, deixe ela falando sozinha. Não tente dialogar com ela. Concentre-se na satisfação que você sente com a história que está escrevendo. Se você está curtindo fazê-la, existem boas chances de que outras pessoas vão curtir também.

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Kário

Não vivo só de Jeanzinho, evidentemente (embora eu me divirta MUITO desenhando ele!). Outro personagem ao qual tenho me dedicado nas horas “vagas” é o Kário.
Esse vai demorar mais para sair, porque é um personagem mais complexo de produzir.
Pra quem está chegando agora: o Kário é um personagem que criei em 2003 e para o qual fiz uma única história até hoje, “Dívida de Sangue”. É uma história fechada, de 29 páginas, que eu havia criado para tentar publicar num selo de quadrinhos da Editora Escala, no início dos anos 2000. Por causa da natureza do projeto da Escala, era imprescindível que a história fosse fechada e autocontida. Assim, decidi fazer o que seria uma “aventura corriqueira” dentro do universo do Kário. Infelizmente o projeto da editora morreu logo, quase no mesmo momento em que eu tinha acabado de desenhar a HQ…
A história acabou saindo em capítulos no fanzine Manicomics, e logo em seguida foi publicada completa pela editora independente Marca de Fantasia, onde está até hoje (o editor faz novas tiragens toda vez que uma esgota). Você pode ler a história gratuitamente no Issuu e, se gostar o bastante, pode comprar a edição impressa no site da editora.
Embora o personagem tenha ficado até hoje apenas nessa história, ele conquistou a simpatia de alguns leitores que me perguntavam sobre a origem do Kário e quando faria mais histórias dele. Bom, agora estou finalmente trabalhando nisso! 🙂
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Kário – Estudos de personagens

Esses são estudos de alguns personagens da primeira história do Kário que estou escrevendo. É um recomeço, e vai narrar a infância do personagem. Muita gente que leu Dívida de Sangue me perguntava sobre a origem do Kário, então nesse recomeço achei que seria bom iniciar pela infância do personagem e mostrar a formação da personalidade dele. Estou entusiasmado!

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Estudos do Kário

Nos últimos meses entrei numa de querer concluir algumas coisas que deixei inacabadas.

Digo, HQs que comecei e não fui em frente, por várias razões. Me refiro aos trabalhos solo – apenas 2, que eu me lembre. Com exceção da Ilha de Fortuna, não me arrependo por ter abandonado os projetos que tinha com outros roteiristas.

Um dos que eu gostaria de retomar é o Kário.

 
Não haveria muita diferença entre o que fiz antes e o que faria agora. Basicamente eu deixaria de lado o estilo meio “mangalóide” que havia usado antes. E mais fantasia. Mas o tom seria o mesmo. Tenho dúvidas, porém, se alguns leitores entenderiam isso se eu continuasse trabalhando com um Kário já adulto. Por isso, a ideia que me ocorreu seria fazê-lo mais jovem, um carinha, talvez, no fim da adolescência. Pra não haver dúvidas de que se trata de uma HQ juvenil. Quem o chamar de “Kário Teen” leva uma canetada no olho, é claro.
E é claro, também, que tudo depende de arranjar tempo pra fazer isso. O velhor problema.