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Esmola (Crônica)

Saindo do banco, onde fui buscar uns caraminguás para resolver pequenas questões financeiras imediatas, eis que um braço escuro e magro emerge da calçada para chamar minha atenção. Era um morador de rua (ou alguém que se passava por tal – hoje em dia, como ter certeza?):
– Me vê dez reais, pelo amor de Deus!
Pensei cá com meus botões: “Dez reais? DEZ REAIS? Diabos, o que houve com o ‘Um trocadinho pelo amor de Deus?’ A inflação está tão alta assim?”. O homem, obviamente sem saber da minha precária situação financeira, aguardava com a mão estendida os dez reais que nunca cairiam ali. Só pude responder:
– Meu amigo, se você soubesse como estou, estaria guardando um lugar pra mim na calçada, porque daqui a pouco eu vou ter que me sentar aí com você.
Ele torceu a cara com uma expressão que não consegui distinguir se era raiva, incredulidade ou desprezo.
Não fiquei esperando para descobrir o que era. Me mandei!
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