Conheci Thorgal há muito anos, já no segundo volume da série – “A Ilha dos Mares Gelados” – lançado no Brasil pela editora VHD Difusion em meados dos anos 1990.
Na época não fiquei muito impressionado, nem pelo desenho nem pelo roteiro. Em relação ao desenho, creio que fosse porque eu tinha uma outra idéia do que fosse uma boa arte para HQs, e Thorgal tinha um estilo muito diferente disso; quanto ao roteiro, creio que minha cisma era em relação ao (pequeno) elemento de ficção científica presente no enredo, o que na minha opinião de então, não tinha nada a ver com a temática do personagem. Talvez eu ainda estivesse muito habituado às histórias do Conan e achasse estranho ter elementos de ficção científica numa história de fantasia heróica. Mas agora que tenho a oportunidade de conhecer melhor o personagem e seu universo, percebo que isso não só explica muito sobre a personalidade de Thorgal, como tem consequências importantes no futuro da série, quando ela continua com seus filhos. Thorgal é definitivamente algo muito diferente do Conan… Trata-se de uma mistura de aventura, fantasia, misticismo e ficção científica, tudo ao mesmo tempo!
Em “A Feiticeira Traída”, ficamos sabendo que Thorgal é um bastardo de origem desconhecida, e que justamente por isso Gandalf-o-Louco, rei dos vikings do norte, não pode deixar que ele se case com sua filha Aaricia. Para livrar-se desse embaraço, Gandalf decide prender Thorgal a uma rocha, à beira do mar, onde ele deverá morrer afogado em poucas horas, assim que a maré subir. Thorgal é salvo pela feiticeira Slive, com uma condição: em troca de sua vida, Thorgal deve servi-la por um ano, sem questionar. Assim, Slive o usa para colocar em prática seu plano de vingança contra o rei Gandalf.
Esse álbum vem ainda com uma história curta de bônus, “Quase o Paraíso”. Durante uma jornada, Thorgal vai parar acidentalmente num lugar paradisíaco, onde nunca mais sofrerá dor, nem fome, nem frio, tendo ainda 3 mulheres para si, além de se tornar imortal! O único preço a pagar por isso é que ele nunca mais poderá sair daquele lugar…
Os roteiros, como é habitual com Van Hamme, têm ótimas reviravoltas. E eu adoro a maneira como ele trabalha o misticismo em Thorgal – na minha opinião, de forma bem mais criativa do que em Conan, por exemplo (e saiba que eu sou fâ do cimério!).
No desenho, gosto de ver a evolução artística de Rosinski. Nesse primeiro álbum, ele ainda desenha com um estilo um pouco caricatural, mas no decorrer da série, a cada volume, vemos que seu traço vai ficando cada vez mais realista e sofisticado – embora eu não esteja dizendo de forma alguma que tenha achado seus desenhos ruins. Adoro o traço dele, solto e visceral!
Então, para quem gosta de uma boa história de fantasia heróica, creio que Thorgal é uma ótima pedida!
Os criadores
Thorgal foi criado pelo roteirista belga Jean Van Hamme. Licenciado em economia, deixou seu trabalho como diretor-geral da Phillips belga para se tornar escritor. Na minha modesta opinião, é um dos mais imaginativos escritores de quadrinhos que existem. E parece que o público franco-belga concorda: tudo que Van Hamme escreve, vende!

Quem desenha a série é o Grergorz Rosinki, artista polonês que começou a carreira ilustrando capas de disco e livros didáticos infantis. Mudou-se para Bruxelas, na Bélgica, no final dos anos 1970 onde conheceu o roteirista Van Hamme. Ele havia produzido outras obras já na Bélgica, mas seu primeiro grande sucesso foi mesmo Thorgal.

Links para baixar vários álbuns do Thorgal: http://tralhasvarias.blogspot.com.br/2012/11/thorgal-todos-os-numeros.html#more

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